quarta-feira, 4 de julho de 2012

Prefeita de Santarém faz visita ao encontro dos bispos


A prefeita de Santarém, Maria do Carmo Martins, esteve na tarde de hoje, 04 de julho, com os participantes do 10º Encontro dos bispos da Amazônia.

Ao fazer seu pronunciamento, destacou que refletir a Amazônia é muito importante. E se há 40 anos, o papa Paulo VI, dizia que “Cristo apontava para Amazônia”, é necessário reunir para identificar o que a região ganhou ao longo desses anos.

Para a prefeita refletir a Amazônia não é fácil. “Aqui na Amazônia tudo é superlativo. As distâncias são grandes, a população é muito sofrida, mas ao mesmo tempo engajada, organizada e sabe o que quer. É um povo que tem uma grande fé em Deus, mas também acredita no futuro ao tentar respeitar a questão ambiental, e tudo isso deve ser levado em consideração na hora de uma reflexão. E eu tenho certeza de que, quem ganha com este encontro não é só a Amazônia, é o Brasil inteiro”, finalizou.

10º Encontro dos Bispos da Amazônia em imagens


Celebração de abertura do 10º Encontro dos Bispos da Amazônia







Cerimônia de abertura do Encontro




Dom Cláudio Hummes - Cardeal




Dom Luiz Soares - arcebispo de Manaus Celebração do primeiro dia do encontro - segunda-feira


Plenária do encontro formada por bispos, leigos, padre e religiosos dos regionais Norte I, Norte II e Noroeste


Dom Cláudio Hummes - em entrevista ao programa brasileiro da Rádio Vaticano


Dom Esmeraldo de Farias - arcebispo de Rondônia em entrevista ao programa Brasileiro da Rádio Vaticano


Trabalhos de grupos para avaliar o que avançou e o que precisa avançar no trabalho missionário da Amazônia








Dom Moacir Crecchi - arcebispo emérito de Rondônia



Celebração do terceiro dia do encontro na Capela do Seminário São Pio X


Celebração desta quarta-feira





A coragem de anunciar, comunicar e denunciar



Nesta manhã, (04), na celebração Eucarística do “10º Encontro da Igreja na Amazônia e 40 anos do Documento de Santarém” que acontece em Santarém (PA), dom Erwim Kräutler, bispo do Xingu, deu seu testemunho de vida e atuação na Amazônia.

 “A Igreja tem a missão de anunciar e comunicar o amor de Deus a todo o ser humano e a todos os povos. Eu me inclino diante de mulheres e homens que com sua mística baseada na meditação e na Palavra de Deus deram sua vida, mesmo correndo o risco de perdê-la, por causa do Evangelho”, ressaltou o bispo ao falar da atuação da Igreja Católica na Amazônia. E por fim, com firmeza e serenidade, dom Erwim fez suas as palavras do texto bíblico da carta aos Romanos, capítulo 8:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos, a espada? Em tudo isso somos mais que vencedores graças Àquele que nos amou. Estou convencido que nem morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem o presente, nem o futuro, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem nenhuma outra criatura nos pode separar do amor de Deus, manifestado  em Jesus Cristo Senhor nosso. Amém!, concluiu o bispo.

E em uma só voz a Igreja presente cantou: “Quem nos separará, quem vai nos separar do amor de Cristo, se Ele é por nós, quem será, quem será contra nós? Quem vai nos separar do amor de Cristo, quem será?


Osnilda Lima - Família Cristã

terça-feira, 3 de julho de 2012

Bispos se posicionam sobre Grandes projetos da Amazônia



Um dos problemas enfrentados hoje pelas populações da Amazônia são os grandes projetos, que além de causarem grande impacto ao meio ambiente, geram lucros para alguns e provocam inúmeros impactos sociais negativos nas cidades onde estão instalados. Esse foi o assunto principal da primeira coletiva oficial concedida à imprensa na tarde desta terça-feira, 03, no Seminário São Pio X, como parte do 10º encontro dos bispos da Amazônia, que está sendo realizado em Santarém-PA.

A entrevista foi concedida por Dom Jesus Maria Berdonces, bispo da prelazia de Cametá e presidente do Regional Norte 2; Dom Mosé João Pontelo, bispo da Diocese de Cruzeiro do Sul e presidente do regional Noroeste; Dom Roque Paloschi, bispo da Diocese de Roraima e presidente do Regional Norte 1 e Monsenhor Raimundo Possidônio, coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Belém e historiador.

Dom Jesus Maria Berdonces afirmou que a Amazônia é tida até hoje como uma colônia, aonde as pessoas vêm, pegam a matéria prima, enriquecem e vão embora. “Esse é um modelo capitalista pautado pelo governo para a Amazônia, que não leva em conta o povo que aqui mora. Para eles, o povo é apenas um detalhe, que atrapalha o desenvolvimento, ressalta”.

Ele destacou que existe outro modelo defendido pela Igreja, cujo foco são os povos que estão na Amazônia. “A igreja defende o incentivo à agricultura familiar, defende que os lucros das riquezas (minerais e vegetais) sejam deixados na Amazônia, e que os povos sejam ouvidos”.

Já Dom Roque Paloschi destacou que a questão é saber quem está usufruindo dos lucros desses grandes projetos, que além de terem as bênçãos do governo, são financiados com o dinheiro público. Ele ressalta que as populações não têm garantias, e suas terras quase sempre são “abocanhadas” pelo agronegócio e por grupos econômicos que aqui chegam.

Dom Roque defende o respeito à biodiversidade, a participação de homens e mulheres amazônidas, que possuem a sabedoria milenar e tradicional de cuidar do meio ambiente sem agredi-lo. Ele espera que o encontro de Santarém provoque uma verdadeira reflexão. “Nós esperamos contribuir para que uma reflexão aconteça para que nossas comunidades se tornem sujeitos dessa região e não apenas vista como um entrave no processo do desenvolvimento sonhado pelo agronegócio  e pelo governo”, enfatiza.

Dom Mosé João Pontelo afirma que os problemas estão aí, e isso requer responsabilidade dos pastores, que são lideres dessa igreja. E o encontro de Santarém vai apontar qual será o caminho a ser seguido nos próximos cinco anos.

Dom Jesus Maria acredita que os bispos têm a obrigação de tentar iluminar a caminhada com a Palavra de Deus, mas também assumir o desafio e o povo da Amazônia. “É necessário não fugirmos da cruz de nosso Senhor, que é a cruz dos pobres e dos povos desta região”, finalizou.

O 10º encontro dos bispos terá um documento conclusivo e uma carta encaminhada aos governantes dos Estados da Amazônia, outra ao Povo de Deus e uma ao Papa Bento XVI.



Joelma Viana e Ercio Santos

Segundo dia de encontro começa com celebração eucarística e depoimento





Os bispos da Amazônia, reunidos em Santarém desde ontem, iniciaram o segundo dia do 10º Encontro com celebração eucarística na capela do Seminário São Pio X.

Presidida por Dom Luiz Soares Vieira, arcebispo de Manaus, a celebração destacou a vida da caminhada pastoral nas práticas das comunidades de base que muito contribuíram para os movimentos sociais.

Houve destaque para o testemunho de Dom Moacir Crecchi, arcebispo emérito de Porto Velho, considerado uma das vozes proféticas na Amazônia. No espaço da homilia, Dom Moacir falou aos participantes da celebração e aos ouvintes da Rádio Rural de Santarém que transmitiu a missa para diversas comunidades amazônicas.




Destacando o entendimento que antes se tinha sobre a missão, Dom Moacir disse o seguinte: “Nós tínhamos a sensação que éramos terra de missão e os missionários deviam vir de fora para nos ajudar. Não tínhamos a ideia de que nós também somos missionários e que devemos colaborar com a missão no mundo inteiro”.

Considerando o documento de Santarém, elaborado há 40 anos, o arcebispo emérito de Porto Velho destacou que “Foi aqui que surgiu nossas quatro primeiras prioridades que depois foram migrando para a Igreja em todo o Brasil”, representando um marco para a igreja no país.

Após a celebração, os bispos iniciaram os trabalhos, primeiro fazendo uma retrospectiva do Documento de Santarém, e em seguida a análise de conjuntura da região, discutindo sobre a realidade socioeconômica da Amazônia.

Os trabalhos desta manhã continuam até o meio dia. Às 14h os coordenadores do encontro vão atender à imprensa em uma entrevista coletiva.


Rosa Rodrigues.


CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA MARCA O INICIO DO ENCONTRO DOS BISPOS EM SANTARÉM




Uma celebração eucarística, na Igreja Catedral de Nossa Senhora da Conceição, em Santarém, nesta segunda-feira, 02 de julho, marcou a abertura do 10º Encontro dos Bispos da Amazônia. A celebração foi presidida pelo arcebispo de Belém, Dom Alberto Corrêa Taveira, e co-celebrada pelos demais bispos dos Regionais Norte 1, Norte 2 e Noroeste da CNBB.

Padre Luis Pinto, administrador da Diocese de Santarém, acolheu os participantes fazendo memória do quarto encontro, ocorrido em 24 de maio de 1972. Naquela época, os bispos da Amazônia foram recepcionados por Dom Tiago Ryan, então bispo da prelazia de Santarém, que neste ano, se vivo estivesse, completaria 100 anos de vida.


Segundo declarou padre Luis, “a historia das linhas prioritárias para a pastoral da Amazônia teve seu inicio por ocasião da reunião realizada no Rio de Janeiro, em 1971, quando os bispos dos regionais Norte I e II reuniram-se para pensar uma ação pastoral conjunta para a Amazônia. Era época da ditadura militar, época difícil e sofrida, quando o trabalho de evangelização exigia sensibilidade para bem discernir os sinais dos tempos diante das novas frentes abertas pelas iniciativas dos assim chamados grandes projetos (Jari, Carajás, Trombetas, Transamazônica, Hidrelétricas do Curuá-Una, Balbina, Tucuruí, entre outros). Se por um lado a época era difícil e sofrida, por outro fora iluminada e abençoada pelos ventos do Espirito Santo.

Segundo ele, a atitude profética assumida pela igreja na Amazônia nesse período, definindo como diretrizes básicas de sua ação pastoral a Encarnação na Realidade e a Evangelização Libertadora, levou à perseguição e ao sangue de muitos agentes de pastoral, por causa do compromisso sempre mais contundente e claro na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente. Em virtude dessa decisão e dos caminhos trilhados pela igreja encarnada ao longo das últimas décadas é que alguns dos participantes do 10º Encontro dos Bispos da Amazônia estão ameaçados de morte e necessitam de proteção policial.


Entre os bispos citados pelo padre Luis Pinto está Dom Ervin Klauter, bispo da prelazia do Xingu. Após a celebração, durante entrevista, Dom Ervin destacou que Santarém, em 1972, foi um marco na história de toda a Amazônia e, logicamente, para o Xingu.

“Eu me lembro perfeitamente. Estava lá em Altamira desde 1965, lembro qual foi a mudança daquele tempo, e, através de uma posição tomada pelos bispos, nós caminhamos e agora 40 anos depois estamos diante de novos desafios, talvez mais fortes ainda. Eu espero que esse encontro aqui mostre alguma luz e pelo menos mostre a unidade dos bispos diante dessa devastação, desse estrago, que a Amazônia esta sofrendo”, destacou Dom Erwin.

Para Dom Roque Paloschi, bispo da Diocese de Roraima, o encontro é importante para manter a Igreja sempre alerta para o que está acontecendo nessa realidade amazônica.

“Quarenta anos atrás nós tínhamos um cenário e essa situação agravou-se ainda mais, ou seja, houve o progresso, o avanço, mas há também o sofrimento muito grande dos povos dessa terra, sejam os ribeirinhos, sejam os povos indígenas, sejam os povos tradicionais e, sobretudo, as periferias das cidades que estão crescendo muito. Nossos jovens que estão sem “eira nem beira”, clamando por vida, por perspectiva de trabalho e realização de seus sonhos. Então a importância do encontro é que faz com que a igreja não se acomode, não se acovarde, mas saiba profeticamente conclamar a esperança necessária nos dias de hoje”, afirmou Dom Roque.

Dom Esmeraldo, arcebispo de Porto Velho, e um dos coordenadores do encontro, deixou como mensagem inicial, a leitura dos Atos dos Apóstolos, quando Pedro vai visitar a família de Cornélio.

“Pedro não queria ir, não entendia porque estava sendo chamado, mas depois a visita ajuda o Pedro a compreender, que a graça de Deus esta presente no coração das pessoas, e o missionário é chamado a reconhecer essa graça, essa presença de Deus. Aquela visita de Pedro, com algumas pessoas da comunidade de Jope, à família de Cornélio, que era pagã, ajudou a mudar o trabalho de evangelização. Eu creio que isso a Amazônia esta precisando. Precisa de uma igreja que não fique acomodada, fechada em si, mas que possa ir ao encontro das pessoas, trabalhar nas periferias, ir ao interior, olhar os povos indígenas, os ribeirinhos,  os quilombolas, ir de porta em porta, ir às casas. Eu creio que isso é muito importante. Eu creio que essa é a grande mensagem e é isso que esperamos nesse encontro, para que a igreja seja profética e missionária”, destacou.


Após a celebração, foi realizada a cerimônia de abertura do encontro, na qual foi destacado que a intenção dos bispos é celebrar os 40 anos do documento de Santarém; promover momentos de partilha das alegrias, dos sofrimentos e das esperanças, e aprofundar alguns desafios que mais atingem a sociedade amazônida.

Em suas primeiras palavras, o presidente da Comissão Episcopal para Amazônia, Cardeal Dom Cláudio Hummes, manifestou apoio da Comissão aos seus irmãos do episcopado da Amazônia e ressaltou que a palavra chave neste encontro é “confiar na ação do Espírito Santo que as luzes virão”. E concluiu: “Estou aqui mais para ouvir, aprender e admirar o trabalho da Igreja nesta imensa região”.



O Décimo encontro prossegue nesta terça, dia 03 de julho, com celebração Eucarística, análise de conjuntura da região e início dos trabalhos.



Joelma Viana e Ercio Santos

domingo, 1 de julho de 2012

Jornalistas debatem documento de Santarém


Produtores e jornalistas dos meios de comunicação de Santarém estiveram reunidos no último sábado, no centro de formação Dom Lino, para debater o documento de Santarém. O documento será base do encontro dos bispos da Amazônia, que começa nesta segunda-feira, 02 de julho, no seminário São Pio X.


Padre Edilberto Sena, facilitador da reunião, fez uma análise de conjuntura da Amazônia, relembrando os fatos de 1972, fazendo referência a construção das rodovias Transamazônica e a BR-163, que contribuíram para a vinda de migrantes de várias partes do Brasil para a região. Destacou ainda, que agora, o desafio são as hidrelétricas, as mineradoras e a expansão madeireira.

Além disso, foram tiradas dúvidas sobre o documento e esclarecida a programação do evento.  O Encontro dos bispos marca a celebração de 40 anos do documento de Santarém elaborado em 1972. 

Uma celebração eucarística, às 18 horas desta segunda-feira na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição marca o inicio do encontro, que vai reunir cerca de 40 bispos dos regionais Norte I, Norte II e Noroeste.

Para facilitar o contato com os meios de comunicação foram disponibilizados os telefones (93) 9134-5865-Joelma Viana e (93) 9121-1200 -Ercio Santos.